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Por um triz..

14 de abr. de 2013






Marina Munari - make by Carol Viana





Uma sensação peculiar a atinge. Aquela do: "Ufa! Foi por um triz" ... 

Ela vê um furo no convés, balança a cabeça de um lado pro outro, querendo acreditar que é só uma poça.. pega um pano e tenta enxugar até que percebe que está com a água pelos tornozelos. Um sentimento de nobreza heroica descabido começa a invadir o coração e a vontade de remendar o furo é grande. 

Num lampejo, levada por um instinto básico e primitivo de sobrevivência, um choque de lucidez, pula, abandona o barco.

Nada muito, cansa os braços, engole um pouco de água, perde o fôlego algumas vezes, mas esse esforço, esse sim vale a pena.

Olha pra trás, o barco já afundou pela metade. Pode ser que ainda demore pra afundar ou que alguém consiga tapar o buraco, não importa... ela não está mais lá.

O corpo dói pelo esforço de chegar em terra firme. Mas ela só consegue pensar: "Ufa! Foi por um triz..."

Prazer e luz... que reluz...

5 de set. de 2012

*não esquece que tem trilha sonora lá no final do post*


Reflete... brilha... ilumina.

Vem de dentro e nos faz ler imagens ao invés de letras e frases cuidadosamente compostas.
Nós somos em cada momento da vida, aquilo que nasce dentro de nós e salta aos olhos.

Cada fase tem sua beleza e transborda da forma que a gente deixa, sai do jeito que a gente canta, vem do jeito que a gente pinta.
Meu modo de transbordar é na voz, no riscado, na música e nos grafismos que saem no papel e em rostos.

Ela anda mais iluminada, transbordando um universo de cores ENSOLARADAS, que marca uma beleza que é quase como ela... SOLAR, RADIANTE, EFUSIVA, VIVA, VIBRANTE.

ELA é  minha parceira e eterno ícone de fotografia em Ribeirão Preto: Fabíola Medeiros

A poesia  BUCÓLICA  das imagens que vem sendo captadas nessa fase SOL chega a arrepiar os sentidos, tal qual música bem entoada. De encher os olhos e constatar que tudo que é estupendo de bom, pode sim, melhorar.

De me meter a poetisa de prosa eu entendo... e adoro sair por aí lendo sons e imagens e tudo aquilo que vibra no mesmo compasso das minhas pregas vocais... Faz o seguinte? 

VEM COMIGO... ??? 


Estar perto e ver a mágica acontecer e tão ou mais gratificante do que fazer parte desse processo... 

Fotos: Fabíola Medeiros / Produção de Moda e Make-UP : Carol Viana




                                                                 Aline Figlioli  






                                                                Thalia Tomaz








                                                                      Poliana Rosa







Trilha sonora de Luz

Mágica ( Sobre reticências... )

16 de jul. de 2012









Tal e qual um passe de mágica, esse véu fino e transparente que ilude os olhos bem intencionados...

Os mesmos olhos que sagazes perscrutam a verdade em cada passo e gesto...

Os mesmos olhos atentos a todo e qualquer movimento em volta...

Se embriagam pela névoa...

Se deixam levar pelo doce amargo, inebriante e torpe suspiro...

Tal e qual magia negra disfarçada de encantamento...

Emburrece os sentidos, camufla fatos e solfeja melodias dissonantes...

Tal e qual efeito de droga pesada...

Alucinógena... maligna...

Que continue.. que continue.. que não demore.. que não demore... que já não aguento mais minhas próprias reticências...




SambaJazz

12 de jul. de 2012


Não sai da minha cabeça...





"Eu era samba e você jazz
A melodia era assim
Tampouco eu sabia cantar
Você me esnobava com encanto
Tinha as escalas no lugar
Tampouco eu sabia...


Pois eu já não me importo com as palavras
Suas gírias, suas farsas
Pra depois me ignorar
Fazendo gestos são só cacos, improvisos na sua vida
Entre encontros e despedidas
Que nem Milton há de explicar...


Eu era água e você mar
Em harmonia era assim
Portão e luva, céu e ar
Pequenas frases, contos estranhos
Contava suas histórias, desencontros
Tampouco eu sabia...


Pois eu já não me importo com as palavras
Suas gírias, suas farsas
Pra depois me ignorar
Fazendo gestos são só cacos, improvisos na sua vida
Entre encontros e despedidas
Que nem Milton há de explicar... "




Letra de: SambaJazz - João Naccarato








Link para baixar essa e outras músicas do Cd Café com Paçoca - João Naccarato









Me deixa aqui...

31 de mar. de 2012

Ah, me deixa aqui, vai...
Me deixa aqui na minha ilusão, se é assim que chamas...
Se está aqui dentro, é onde quero ficar...

Ah, o que está por dentro é tão mais real ...
Aqui dentro o que eu enxergo ninguém mais vê.
Não me negue a beleza que só consigo enxergar daqui.

Ah, me deixa aqui, vai...
Não quero sair.
Aqui dentro consigo ouvir o suspiro que ninguém mais ouve...

É aqui também que está o sorriso que ninguém mais vê...
A palavra que escuto com os olhos...
O toque que não tem medo da pele...
A mão que não tem garras...
O abraço que não tem medo de ser...

Ah, me deixa aqui, vai...

Ah...

28 de mar. de 2012





Ah, é tanta desesperança, tanto palpite...
É tanto querer que é julgado por fora do peito de onde vem...
É tanta maledicência, tanta conclusão, tanta perspicácia e certeza definitiva...
que não sei mais nonde me cabe em minha própria vida!


É tanta receita, é tanto clichê...
É tanto "faça como fiz" e "porque comigo foi assim"...
É tanto esquecimento de que eu não sou você e você não é eu...


Ah... não é fácil pulsar em vermelho perto de tudo que é cinza...
Não é fácil cantar em preto e branco enquanto o mundo ao redor quer o arco-íris saindo pelas suas oitavas... 
É tanto querer cor sem abrir as tintas e molhar o pincel...

E eu ali, saudosa... reticente,
Sentada ao pé da escada que um poeta me colocou...

Tentando e querendo ainda ser boneca e atingir uma só alma...
Tentando e querendo guardar um pouco das explosões no peito trancado...
Conter os ímpetos que jorram carmesins, incessantes ...
Querendo o alento que minha voz concede a outros ouvidos...

Mas é tanta rima incerta ...
É tanta desesperança, tanto palpite...
... não sei mais nonde me cabe em minha própria vida!


 ( dedico a Johnny Johicerviclarik, que encontra música nas minhas reticências )

                         










LUTO

25 de fev. de 2012



Era o acorde perfeito... a sintonia cadenciada pelo pulsar dos corações. Mesmo compasso em peitos diferentes. Alterando a dinâmica de acordo com a dança do desejo. Eram lábios ora famintos, ora suaves mordiscando-se em sabores doces.
Eram membros suados....eram braços e pernas e cabelos grudados. Eram olhos que se sorriam, que se buscavam, era o choro que se mesclava ao gemido e era seguido de um sorriso.
Eram frontes molhadas que se encostavam, eram peitos nus que se colavam em colapso e amansavam juntos silenciando em lábios grudados.
Eram dedos escorregando por cordas vivas...
Era mais de mim, era mais de nós...
Era sonho, era realidade, era expectativa, era intensidade, era gelo ou fogo, era denso... e jaz.
Foi... morreu...
Não é saudade, é luto...
Sim, é porque morreu que choro...

Apenas dizer...

4 de dez. de 2011

Algumas pessoas tem vontade de gritar pro mundo inteiro ouvir. Colocar faixas com letras enormes, pendurar cartazes, gravar vídeos, fazer músicas. Armar um grande circo, um escândalo em nome do romantismo. Com megafones e microfones em punho, proclamar ao vento e publicamente aquilo que lhes transborda.

Outras ainda o fazem sem intenção, com um barulho imenso, de braços abertos e peito ofegante, arfando e em voz alta para qualquer passante.

Eu? Eu não.... eu queria apenas segurar teu rosto, olhar bem dentro dos teus olhos e dizer.... baixinho, só pra você, com música ou sem, apenas dizer...

Das dores que não podemos curar.....

13 de out. de 2011


Imagem Google
 Dói em mim e eu posso chorar... dói em mim e eu posso cantar até que o som da minha própria voz em melodia acalme as batidas violentas no meu peito. Se dói em mim, posso estender a mão e pedir a um passante que  me empreste um pouco do seu calor.

Dói em mim e me rebelo até que encontre um remédio que ao menos estanque até o sangue parar de sair. De chá de ervas a abraços fraternos e colos de mãe. Dói em mim e clamo aos céus para que o alívio venha  em tempo.

Dói em mim e consigo mensurar a intensidade com que me atinge cada golpe, o quanto consigo ou não revidar para me defender.

Mas não... dói fora de mim. Dói fora do meu alcance... Dói onde as minhas lágrimas não tem efeito catalisador. Dói onde meu canto não pode penetrar, balsâmico e renovador. Dói onde uma mão estendida não consegue aplacar o frio que vem da alma.

Dói onde não há defesa para golpes que não se tem ideia do tamanho e intensidade. Dói onde colos, chás de ervas e alívio dos céus não surtem efeito.

Dói em você... e é aí que dói em mim. 

Entender... é preciso?

3 de out. de 2011


Imagem Google




Entender de anatomia, é preciso?
Decorar a geografia, sentir os relevos
Na ciência do tato suavizar teus pelos
Degustar o agridoce em paladar refinado.


Entender de poesia, é preciso?
Sussurrar atos desconexos
Cometer pecados linguísticos
Descabelar teus versos


Entender de boemia, é preciso?
Vagar ausente em cada sonho quente
Nas ladeiras íngremes do teu baixo ventre
Repousar aflita no calor latente.


Escrito em janeiro de 2011. Quando eu ainda queria entender...



 

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