GUERREIRA DOS OLHOS VERDES

8 de mai. de 2011

                            Ah, minha guerreira! Falar de você e tão fácil e ao mesmo tempo tão difícil! Pelo único motivo de me ter dado a dádiva de nascer de você já me sinto lisonjeada. Não existe na minha vida alguém que se compare a você. Uma guerreira com tantas histórias.Quando penso em você como uma pessoa independente de mim, ainda assim me vem lágrimas aos olhos.
                            A menina simples, mais velha de quatro irmãs. Com o coração mais puro que eu conheço. A menina obediente que achava que trabalhando no colégio particular de freiras onde era bolsista, sua mãe que costurava para as freiras trabalharia menos. Desde cedo um espírito iluminado. Tenho mania de achar que você não é desse mundo. Estou para conhecer pessoa com tal senso de justiça e perdão, entre outros tantos sentimentos nobres. A garota com tantas e tantas dores que acinzetaram demais esses olhos verdes. A mulher linda que não sabia o quanto o era. A mulher apaixonada pelos seus três filhos todos da mesma maneira. 
                            A mulher de quem herdei meus múltiplos talentos. Que me ensinou a cantar AVE MARIA em latim como aprendeu no colégio e que chorou anos mais tarde ao me ouvir cantá-la no casamento do meu irmão. A mulher que cantava baixinho pra mim e que tinha uma voz linda sem ao menos saber disso. Que transbordava de emoção com qualquer tipo de música e arte.
                           A mulher que cuidava sozinha dos cabelos dos pimpolhos e que foi durante muito tempo uma cabeleireira e manicure das melhores. Passei anos sem saber o que era ir a um salão de beleza. Mamãe era a mestra dos meus e de outros cabelos. E tem altas teorias como testemunha ocular do meu cabelo mutante.
                           A mulher que nunca me deu um PORQUE SIM  como resposta para os meus questionamentos. Que sempre revelou a verdade sobe tudo, como nunca foi feito com ela .
                           A  mulher que perdeu tão cedo sua saúde. Que me fazia sofrer e chorar cada vez q ia parar em um hospital. A que me pesava o coração a cada cirurgia. Lembro de quantas noites eu saía correndo da minha cama e ia pro teu quarto só pra ver se você ainda continuava respirando.
                           Ah, minha guerreira! Tantos anos se passaram e agora, apesar de eu ser meio que uma cópia do meu pai, consigo ver em mim tantos traços teus! Reconheço você em tantas atitudes minhas, tantos pensamentos, trejeitos. Tenho sua voz, seu queixo, seu coração de manteiga, minha pele clara, minha onda no cabelo ( aquela na franja, do lado direito), esse meu jeito engraçado, a risada solta..
                          Ah, minha guerreira! Tua luta não tem sido fácil. A saúde te faz falta e nos assusta a cada nova fragilidade. Mas você continua comigo. Em sintonia, com os mesmos cuidados e preocupações de mãe que eu só vou entender quando for uma. Você é a pessoa que sabe me acalmar desde quando para isso só era necessário o seu seio. Você é aquela que sabe tudo que está acontecendo comigo de longe. Olhar para você tão frágil por fora, só me faz reconhecer o quanto é forte por dentro. 
                           Forte, mãe-leoa, mãe que luta e faz de tudo pelos filhos e agora pelo neto. Mesmo quando acha que não está fazendo. Sou resultado de tuas lutas. Do teu tempo dedicado a mim, à minha educação, ao meu crescimento. Sei que não existe no mundo amor maior que o de uma mãe. Ainda não sou mãe para sabê-lo. Só sei que meu amor de filha é grande demais. Sempre que puder, vou tentar  ser uma filha ainda melhor para que você continue tendo orgulho de mim. Se eu pudesse te desejar algo nesse dia, é que continue sendo tudo que você é e foi. 
                         Minha guerreira, no quesito mãe, você bateu todos os recordes. Não existe mãe melhor do que você no mundo inteiro! 

Nada como uma boa conversa...

29 de abr. de 2011

                     _Olá, D. Libido! A senhora por aqui? Há quanto tempo... Por favor, sente-se! Temos muito o que conversar. Diga-me, por onde andou? Olha... senti muito a sua falta. Sem a senhora tudo por aqui ficou mais árido, sabe? Vivia me perguntando por onde andaria, danada, que foi embora sem mais nem menos. Assim, de uma hora pra outra. Para lhe ser sincera, foi num piscar de olhos. Quando dei por mim, já sentia sua ausência. Onde foi que se meteu? Eu lhe procurei tanto! Quer um chazinho? Faço num instante, venha... Mas como eu ia dizendo D. Libido, senti muito a sua falta. Passear pela Rua dos Prazeres sem a vossa companhia me parecia algo impossível. Algumas vezes tentei, mas tudo estava insosso e volta e meia me pegava perdida em lembranças dos nossos passeios por essas paragens. Açúcar ou adoçante? Tome devagar, está quente. Sim, pelo menos o chá, não é mesmo? Vou lhe contar uma coisa... tomei muito chá frio por aqui. Foi como um inverno ameno sem cobertores. O frio até que não era tanto, o que incomodava era não ter onde me enfiar por baixo. Cada noite sem cor, sem sabor, nem cheiro. Estava quase me acostumando. Pensava eu que se a senhora estivesse feliz em outros lugares, então que assim fosse. Ora, não fique assim! Não estou lhe acusando. Pegue um biscoitinho! Teve muitas aventuras por aí? Me conte algumas. Como aquela vez em que... mas ora, veja! Não precisa ficar vermelha, foi divertido! Deixe de charme, senhora, entre nós não há segredos! Estou achando-lhe mais animada. Esse tempo fora lhe fez um bem notável. Antes de ir, estava muito quieta. Isolada no teu canto. Achei até que tinham lhe feito algum mal, sabe? Fiquei preocupada. Confesso que achei que não a veria mais. Mas eis que quando não mais a procuro, me fazes essa bela surpresa! Mais chá?  Oh, estou tão animada agora que estás aqui! Temos muito o que por em dia... estou planejando alguns passeios pela Rua dos Prazeres. Vamos sozinhas mesmo, quem sabe no caminho encontramos quem nos queira acompanhar. Deve estar bonito por lá, mesmo com o vento frio que sopra agora. As folhas de outono ainda estão amareladas e ouvi dizer que essa frente fria não dura muito. Tomara mesmo, minha querida amiga, pois sinto falta do calor. Ora, vamos... deixe aí essa louça. Não precisa se incomodar com isso, a senhora tem mais o que fazer. Seja bem vinda de volta!


Ferida eterna...

20 de abr. de 2011

Saiu sangue, doeu, esfolou... até que um dia, criou casca. 
Casca em cima de casca.
Sangra de novo quando você sente a unha penetrar a carne. 
Outra vez. Até que seque.
Até que encontre um alívio, um alento em forma de cicatriz nova.
Vai passar... 
Nem vai parecer que machucou.
Não...  unha inquieta, que afunda, arranca, expõe a carne viva...
não se contenta enquanto não descasca,
desnuda, arranca...
Sangra... mais uma vez, dói, esfola,seca.
Casca em cima de casca.
Demora mais a afundar-se a garra sorrateira, crispando, arranhando...
Casca grossa... casca que cede, perfurada.
E de novo sangra....


Medíocre, eu? Só fazendo uma média...

8 de abr. de 2011




Insistir ou desistir? Fazer acontecer ou deixar rolar? Ir atrás ou esperar vir?  Saber a hora de parar e a de seguir em frente. Sonhos, lutas, realidade... O quão somos responsáveis pelo nosso destino? E esse tal destino? Existe mesmo ou é só uma invenção do inconsciente coletivo para nos fazer acreditar que um dia teremos aquilo que almejamos ou seremos aquilo que sonhamos?
                             Qualquer livro de auto-ajuda diria que “a mente faz a sua realidade” assim como “você é o que você come”. Até aí tudo bem, mas o enfoque mágico, a perfeição a todo custo, a geração de cobranças esbarra em um ponto crucial: NINGUÉM TEM DIREITO DE SER MEDÍOCRE.

                            Medíocre: adj. Que está entre o grande e o pequeno, o bom e o mau : obra medíocre.
                                         S.m. Aquele que é medíocre, aquele que não tem grande valor intelectual.

 

                               Se no próprio significado da palavra, já se diz que não é nem bom nem ruim e que não tem grande valor, a cultura de hoje em dia eleva isso à máxima potência. Dizer que alguém é medíocre pode ser entendido até como xingamento!

                               Só nos contentamos com adjetivos como: belo, perfeito, magnífico, estonteante, excepcional, excelente, espetacular, maravilhoso. E se é pra ser ruim que seja péssimo, horrível, degradante, repulsivo... medíocre nunca!

                               Pois bem, eu digo a plenos pulmões que sob alguns aspectos, sou um ser medíocre. E ando querendo me libertar da amarra que me faz achar isso ruim.

                               A começar pela minha altura. Não sou nem alta nem baixa, sou mediana. “Ah, mas pra mulher você é alta” ( olha o parâmetro, rs. Acho super engraçado o “pra mulher”... ). Não, não sou alta. Alta pra mim é quem tem mais de 1,70m e pra isso ainda me faltam alguns centímetros. Quesito altura: Carol medíocre ( façamos as pazes com o vocábulo bonitinho).

                             Família: filha do meio! Precisa nem dizer nada né? Rs...

                             Classificação vocal: mezzo soprano. Alguns graves, alguns agudos, mas nem vozeirão de cantora de MPB, nem hiperagudos de solista de ópera. PIMBA!

                             Palco: barzinho e banda de baile. Ou seja, nem anônima nem famosa. Meio de novo.

                             Corpitcho? Apesar de mulher sempre se achar mais gorda do que deveria estar ( eu não sou diferente), sendo bastante honesta, não posso dizer que sou magra e também não sou obesa. Normal. Média.

                               Se todo mundo parar pra pensar direitinho, em algum momento vai se encaixar nessa descrição. Ao menos em algum aspecto da personalidade. E aí? Como lidar com isso?

                                Não digo que ninguém deva lutar pra melhorar, pra atingir metas e objetivos e se aperfeiçoar. Apenas façamos as pazes com a palavrinha acima. Médio é médio... não ser bom não significa ser ruim. Nem que não pode melhorar, evoluir. E que não tem nada de errado também se continuar sendo medíocre, médio, normal. Ninguém  é e por mais que busque isso com todas as forças, nunca será perfeito.

                           Você tem talentos em uma área, é uma negação em outras... Pode ser linda e chata. Ou um gênio da matemática  sem nenhum gingado. Opostos? Sim... mas e se você tiver um “tiquim” de cada coisa? Um pouquinho  de cada habilidade sem ser excepcional e brilhante em nenhuma, tampouco extremamente ruim, péssimo? Qual o problema?

                            Por que tem que ser uma coisa ou outra? Decidir sempre entre dois pólos? O mundo é múltiplo, as questões da vida tem milhares de respostas e nem sempre essas respostas são simplesmente sim ou não. Sempre pode rolar um TALVEZ. Entre dois pólos pode haver uma linha reta, mas também muitas curvas. A opção do meio pode significar também EQUILÍBRIO. Sacou? ( piscadinha pra você)

                           Preto ou branco? Por que não misturar? Fica lindo... e é um clássico! Sol ou chuva? Ah, fala que não é lindo quando depois de uma chuva forte o céu se abre e o sol aparece formando um arco-íris enquanto ainda cai a garoa fina? Falando em coisa boa que fica no MEIO... é só pensar no dia que nascemos e no dia que fatalmente iremos embora... o caminho do meio é nada mais nada menos do que a VIDA! Aquela magia entre um pólo e outro que deve ser vivida assim... do jeitinho que você é!

                             

                             


25 de mar. de 2011

 
Eu entrei...
Me esqueci de perguntar se podia. Li os sinais sem pensar que, de repente, não era bem aquilo que estava escrito.
Invadi! Todas as placas me apontaram essa direção, todas as flechas me levaram a esse caminho.
Então, fui, cega, tateando. Ora me jogando com força, ora pisando macio, com medo, em terreno novo.
E agora?
Agora os sinais me dizem outras coisas, não existem mais flechas
indicando o caminho, terei de achá-lo por mim mesma.
As placas mudaram a mensagem. Nem sei se posso lê-las. Ficaram lá atrás, no caminho que já não existe.
Mas os sinais, esses sim são infalíveis.
Passíveis de erros somos nós, que os interpretamos da maneira que melhor nos satisfaz os desejos.
Os sinais estão mais claros agora que me permiti entendê-los da maneira como vem.
Agora, se me dão licença, preciso ir ...  o caminho de volta é sempre mais longo quando temos que achar por onde seguir!

Carol Viana (16/02/2011)

Why?

3 de mar. de 2011

                                Por quê? Por que está  tudo misturado aqui dentro? Um caleidoscópio de sons e imagens, lembranças e devaneios. Um mosaico de bocas e olhos. Um leque de cheiros e gostos ainda não desfrutados e bem conhecidos. Uma frase que costura dois momentos distintos, até guiar-se por um som que me leva até a outra margem.
                                O conhecido , o ausente, o que ainda virá, o que já passou, o que está passando. As ausências  confundindo-se entre si e chocando-se com presenças inesperadas e igualmente ausentes.
                            O intruso sem razão de ser, sem ciência da intromissão. O eterno sem saber ter  as terras invadidas, ignorante da perda de terreno. E a terra ressentida sem dar frutos . Terra de ninguém?

                                
                           

1 de fev. de 2011


   Casar ou não casar... eis a questão! Porque essa doida resolveu falar sobre isso? Um assunto ronda nossa cabeça quando tudo ao redor parece levar a ele. Existe um (pré) conceito arraigado na sociedade que  a mulher depois de uma certa idade tem sim que se casar. Se não casa é olhada até com pena. Ou começam a achar que ela tem algo de  errado. Coisa de antigamente? Hoje em dia não tem mais isso? Vejamos....
                       Na minha família,  fui a primeira das netas de minha avó materna que começou a namorar. Com quinze anos, tive um namoro que durou dois e todo mundo jurava que eu ia casar super cedo.  Ledo engano.  Aos dezessete, me rebelei  contra  aquele  sufoco que era o meu namoro: cheio de regras, imposições, liberdade tolhida, ciúme doentio...
                      Na verdade quem  colocou a grinalda bem cedo, foi minha irmã mais nova. Na época, eu a achei louca. Alguém deve estar se perguntando: Você é contra o casamento?  Eu respondo: não, de forma alguma.
                    O que me irrita é a obrigatoriedade. O fato de você ter mais de 30 anos e ser solteira  gera muitas caras e bocas e narizes torcidos. Já ouvi tanto absurdo que não conseguiria reproduzir a contento aqui! A minha idéia de casamento (e até mesmo de namoro) pode até ser romantizada e utópica, mas acredito que seja mais satisfatória do que a de que você PRECISA  se unir a alguém só porque “ o tempo está acabando”.
                       De tempos em tempos me questionam a solidão. Cada hora é por um motivo. Me lembro que mais nova, devia ter uns 21 anos, minhas tias tentaram me fazer a cabeça para casar com um italiano. Que ia ser bom, que ia morar em outro país, que ele era rico. Oi?
                          Há muito tempo pago minhas próprias contas e me sustento sozinha.  Casamento a meu ver, não é sociedade, nem trabalho remunerado. Me causa verdadeira repulsa  esse tipo de associação. Atualmente, estou em busca de apartamento pra alugar. Vocês querem saber quantas vezes eu ouvi frases do tipo: “ Nossa, bem que você poderia ‘arrumar’ alguém, casar, morar junto, né? Pra dividir as despesas, pra te ajudar”. Querem mesmo saber quantas vezes?
                         Primeiro que eu ODEIO o termo “arrumar alguém”. Me soa tão desesperado, tão sem propósito, tão artificial. Ninguém “arruma’ ninguém na vida . Segundo, nem namorado eu tenho.  E se tivesse, só porque tenho que me mudar, o certo seria eu propor morar junto ou casar, só pra aliviar as despesas? Oi?
                         Será que o erro não está em pensar as relações de acordo com nossas necessidades corriqueiras? Burocratizar uma decisão que deve ser tomada quando duas pessoas se amam e tem maturidade suficiente pra saber que terão que construir uma relação e uma vida em comum, mesmo sabendo que não é um mar de rosas?
                          A culpa desse texto é da Nazira de Glória Perez.  TV ligada, relembrei o desespero da mulher que “passou da idade” e que não consegue casamento. Claro que estamos falando de uma cultura muçulmana, totalmente diferente da nossa. Mas, diferente até que ponto, não é mesmo? Já que trago os mesmos questionamentos e de gente que me rodeia, enfim...  a culpa não é só dela, nesse caso.
                          Dá pra ser solteira e feliz, solteira e infeliz, casada e infeliz, casada e radiante de feliz. Não vai ser o estado civil, uma certidão, o status de ter ou não alguém, que vai te dizer quem ou o quê você é.
Nada de bandeiras como “ Antes só do que mal acompanhada”, porque, vamos combinar, ficar sozinha cansa e também é um pé no saco (ops, sou menininha).  Mas também não é motivo pra colocar alguém ali só pra tapar o buraco ou levar vida de eterna adolescente e virar de balada em balada e cair no extremo oposto.
                           Só não façamos dessa convenção a última razão de felicidade da vida!  Véu, grinalda e  buquê não são obrigação.

 

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